O Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Fundo Clima) se consolida como o principal instrumento financeiro para viabilizar projetos de mitigação e adaptação aos impactos da crise climática no Brasil. Criado por lei em 2009 e regulamentado por decretos posteriores, o fundo é fundamental para implementar as metas brasileiras no combate às mudanças do clima, estabelecidas pela Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC).

Como funciona o Fundo Clima

O Fundo Clima opera em duas frentes: a modalidade reembolsável, gerida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e a modalidade não-reembolsável, sob responsabilidade direta do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Ambas seguem diretrizes do Comitê Gestor, formado por representantes do poder público, setor privado, academia e sociedade civil.

As regras para aplicação dos recursos estão detalhadas em diversas normas, como as Leis nº 12.114/2009 e nº 12.187/2009, os decretos de regulamentação, e resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN), que determinam condições específicas para os financiamentos via BNDES.

Estrutura e gestão compartilhada

A gestão do fundo é feita por diferentes instâncias do governo federal, assegurando rigor técnico e alinhamento com as estratégias nacionais:

  • O MMA coordena politicamente e aplica os recursos não-reembolsáveis.
  • A Secretaria-Executiva do MMA supervisiona as operações e presta apoio administrativo.
  • A Secretaria Nacional de Mudança do Clima garante o alinhamento com metas climáticas brasileiras e subsidia o Comitê Gestor na definição de prioridades.
  • O BNDES executa os recursos reembolsáveis, avaliando e acompanhando projetos financiados.

Eixos estratégicos do investimento climático

O Plano Anual de Aplicação de Recursos (PAAR), aprovado pelo Comitê Gestor, direciona os financiamentos reembolsáveis, em 2026, para seis eixos principais:

  1. Cidades Verdes Resilientes e Sustentáveis: apoio a mobilidade urbana limpa, gestão de resíduos e infraestrutura para enfrentar eventos extremos.
  2. Indústria Verde: descarbonização, economia circular e adoção de tecnologias limpas.
  3. Logística, Transporte e Mobilidade: incentivo a ferrovias, hidroviários e frotas sustentáveis.
  4. Transição Energética: ampliação de energias renováveis como solar, eólica e biomassa.
  5. Florestas Nativas e Recursos Hídricos: recuperação florestal e gestão das águas.
  6. Serviços e Inovação Verdes: fomento a startups, bioeconomia e pesquisa aplicada.

Projetos aprovados nestas áreas visam fortalecer a economia verde e ampliar a resiliência do país diante das mudanças climáticas.

Transparência e próximos passos

O Fundo Clima se destaca não apenas pela abrangência temática, mas também por sua governança participativa e estrutura de avaliação contínua. As informações sobre projetos aprovados, tanto reembolsáveis quanto não-reembolsáveis, estão disponíveis nos portais do MMA e do BNDES, reforçando a transparência e o controle social sobre o uso dos recursos.

Com a consolidação desses eixos estratégicos e uma governança robusta, o Fundo Clima deve ocupar papel central nas próximas etapas da transição brasileira para uma economia de baixo carbono.

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