Uma análise de risco apresentada pela Petrobras ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) trouxe à tona possíveis impactos caso ocorra um vazamento de óleo durante a exploração de petróleo na região da Foz do Amazonas. O estudo indica que, em cenários avaliados, as manchas de óleo podem alcançar o litoral do Amapá, especialmente no trecho que abrange os municípios de Calçoene e Oiapoque, e extrapolar para países vizinhos na América do Sul e Caribe.

Modelagem indica risco para diversos países

Segundo o relatório submetido pela Petrobras ao órgão ambiental, diferentes simulações foram realizadas considerando dois períodos do ano — de dezembro a junho e de julho a novembro. As correntes marítimas, ventos e marés foram pontos essenciais para a modelagem, que demonstrou a possibilidade do óleo ultrapassar os limites da bacia da Foz do Amazonas e atingir as Zonas Econômicas Exclusivas de pelo menos seis países caribenhos, incluindo Trinidad e Tobago e Barbados, além do litoral da Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa.

Impacto socioambiental e áreas sensíveis

O trecho amazônico analisado é considerado altamente sensível, pois abriga biodiversidade única, comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais, além de unidades de conservação importantes como o Parque Nacional do Cabo Orange. De acordo com a Petrobras, os cenários mais críticos de derramamento podem impactar atividades como pesca, aquicultura e turismo em até 26 municípios nos estados do Amapá, Pará, Piauí, Maranhão e Ceará devido ao trânsito e operações de diversas embarcações de apoio ao empreendimento.

Histórico e próximos passos do licenciamento

A petroleira foi pioneira ao conseguir autorização para perfuração no bloco FZA-M-59 da Foz do Amazonas em outubro de 2025, após anos de tentativas do setor. Nos demais blocos (FZA-M-57, FZA-M-86, FZA-M-88, FZA-M-125 e FZA-M-127), um novo estudo com dados atualizados foi protocolado em abril deste ano, incorporando informações ambientais, projetos em andamento e literatura científica recente. A perfuração está prevista para até 15 poços a média de 160 km da costa, com profundidades entre 4,8 e 5,9 km.

Em fevereiro de 2026, um incidente em um dos blocos liberou cerca de 18 mil litros de fluido de perfuração no mar, levando a impactos ambientais negativos identificados em relatório do Ibama. Esses impactos incluem danos à fauna marinha e risco à biodiversidade local.

Monitoramento e exigências ambientais

O Ibama solicitou à Petrobras estudos que considerem toda a dinâmica oceanográfica da Margem Equatorial, abrangendo amplo trecho do litoral norte brasileiro. O estudo destaca que a proteção ambiental passa por gestão eficaz, cumprimento rigoroso da legislação nacional e dos padrões internacionais. A Petrobras aguarda novo posicionamento do Ibama sobre o licenciamento dos poços e afirma que as operações seguem padrões de segurança e cuidados ambientais.

A campanha exploratória deve movimentar R$ 13 bilhões até 2030. O término previsto da perfuração é agosto de 2026, permanecendo a preocupação com a vulnerabilidade ambiental e a necessidade de respostas eficazes em caso de acidente.

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