Aumento da pobreza multidimensional
Um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e da Iniciativa de Pobreza e Desenvolvimento Humano da Universidade de Oxford revela um aumento alarmante na pobreza multidimensional, que agora afeta 1,2 bilhão de pessoas em todo o mundo. Esse é o primeiro crescimento registrado neste índice desde 2010, com um incremento de 51,5 milhões de indivíduos em relação ao ano anterior. O índice de pobreza multidimensional considera não apenas a renda, mas também privações em saúde, educação e condições de vida.
Dentre os 1,2 bilhão de afetados, mais da metade são crianças. Além disso, 83% das pessoas que vivem nessa condição habitam áreas rurais, onde as dificuldades se intensificam devido à falta de acesso a serviços básicos como água potável e eletricidade. O administrador do Pnud, Alexander De Croo, destacou que por trás desses números estão vidas marcadas por dificuldades que se reforçam mutuamente, o que classifica como um alerta para o mundo.
Dados por região
O estudo analisou 10 indicadores em 108 países em desenvolvimento, que juntos representam 78% da população mundial. Nos países de língua portuguesa, Moçambique lidera com a maior parcela de sua população em situação de pobreza multidimensional grave, alcançando 38,8%. Em seguida, estão Guiné-Bissau (35,9%), Angola (29,6%), Timor-Leste (17,4%) e São Tomé e Príncipe (2,1%). O Brasil, por sua vez, apresenta uma taxa de 0,9%, o que, apesar de ser relativamente baixo, ainda reflete desigualdades persistentes.
Os dados coletados, no entanto, variam em termos de período. Enquanto os índices de Moçambique e Angola são baseados em pesquisas entre 2020 e 2025, os dados do Brasil e de outros países lusófonos foram levantados entre 2014 e 2019. Isso evidencia a complexidade do cenário da pobreza em diferentes contextos.
Impactos globais
Embora o aumento do número total de pessoas em situação de pobreza multidimensional seja alarmante, a ONU ressalta que isso não significa que a proporção de afetados tenha crescido em todos os países. O crescimento demográfico, por exemplo, tem sido um fator que contribui para o aumento global. Em nações como Angola e Zâmbia, a parcela da população em pobreza diminuiu, mas o crescimento populacional superou essa redução.
Além disso, o relatório também apresenta casos de sucesso. Países como Egito, Nepal e Tajiquistão conseguiram reduzir tanto a taxa de pobreza multidimensional quanto o número absoluto de afetados, destacando que é possível avançar com ações coordenadas. A China, por exemplo, conseguiu cortar pela metade sua população em pobreza multidimensional entre 2010 e 2014.
Por que isso importa
A pobreza multidimensional é uma questão crítica que afeta a qualidade de vida de bilhões de pessoas. A ONU estabelece como meta a redução pela metade da proporção de homens, mulheres e crianças que vivem na pobreza até 2030. O aumento observado neste relatório serve como um Alerta para a necessidade urgente de políticas públicas e ações globais coordenadas para enfrentar esse problema.
O que vem a seguir
Com o aumento da pobreza multidimensional, os desafios para alcançar as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável se tornam mais evidentes. O Pnud e outras organizações precisam intensificar esforços para implementar soluções eficazes e, ao mesmo tempo, monitorar o progresso em relação aos indicadores de pobreza. A conscientização e a mobilização da sociedade civil também são fundamentais para pressionar os governos a agir.
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