A terceira edição da SP Climate Week chegou ao fim nesta sexta-feira, 7 de junho, na cidade de São Paulo, trazendo como principal legado a consolidação do evento como uma plataforma permanente de ação climática. A iniciativa marca um novo momento para a agenda ambiental nacional e projeta a capital paulista como referência global no debate e implementação de soluções sustentáveis rumo à COP31.
Continuidade e protagonismo de São Paulo
Segundo Michel Porcino, fundador da SP Climate Week, o evento deixou de ser uma reunião pontual para se tornar "uma plataforma permanente de ação em prol do clima". Nesta edição, foram realizadas mais de 230 atividades divididas em seis grandes temas: energia, indústria e transporte; florestas, oceanos e biodiversidade; agricultura e sistemas alimentares; cidades resilientes; desenvolvimento humano e social; e financiamento e tecnologia. Essas discussões refletem a urgência de transformar compromissos internacionais, como os assumidos na COP30 (Belém), em iniciativas concretas.
A abertura deste ano aconteceu de maneira inédita dentro da Tekoa Yvy Porã, um território indígena localizado na zona noroeste da cidade. O gesto ressaltou a necessidade de incluir comunidades tradicionais no centro das decisões climáticas, reconhecendo seus saberes ancestrais como fundamentais para um futuro sustentável.
Lançamento do C3 ActionLab e foco na descarbonização
Um dos principais resultados do evento foi o anúncio do C3 ActionLab, iniciativa lançada no ESG Supply Summit, dedicada ao chamado "escopo 3" — ou seja, a cadeia de fornecedores das empresas. Nas palavras dos organizadores, o maior desafio para a redução das emissões de carbono está justamente nesse elo, onde se concentra mais de 70% das emissões das corporações. O ActionLab chega para conectar grandes empresas, fornecedores e parceiros estratégicos, promovendo capacitação, compartilhamento de melhores práticas e implementação de projetos para acelerar a descarbonização das cadeias de valor.
A colaboração entre setor privado, fornecedores, entidades financeiras e a sociedade civil foi reforçada como indispensável. O C3 ActionLab se alinha à Agenda Global de Ação Climática, dando protagonismo ao setor produtivo brasileiro no caminho até a próxima Conferência do Clima (COP31), que será realizada na Turquia.
Novas jornadas, indicadores e transformação local
A edição deste ano foi marcada pelo lançamento da "Jornada de Ação Climática", que conecta grupos de trabalho, coalizões e action labs a metas e indicadores concretos. Destaque para os 120 Planos de Aceleração de Soluções (PAS), organizados em seis eixos principais e sustentados por mais de 400 iniciativas e projetos. O acompanhamento dos resultados deverá garantir que as discussões evoluam para transformações tangíveis em diversas frentes do desenvolvimento sustentável.
Para Michel Porcino, além dos debates e da presença de lideranças brasileiras e internacionais, o maior mérito está nas ações implantadas. "Nossa missão é que essa edição seja lembrada não pelos debates que promoveu, mas pelas transformações que ajudou a colocar em prática".
Próximos passos até a COP31
Com a estruturação de uma plataforma contínua de ações e parcerias, São Paulo reforça seu papel estratégico na agenda global do clima. O objetivo é garantir que os compromissos assumidos se convertam em resultados mensuráveis e inspiração para outras cidades e países.
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