Moradores de bairros próximos à Av. Beira-Mar, em Fortaleza, têm convivido nos últimos meses com um fenômeno inusitado e incômodo: a presença constante de pequenas partículas de isopor – conhecidas tecnicamente como EPS (poliestireno expandido) – espalhadas por ruas, calçadas, piscinas e até dentro de residências. O problema, notado há cerca de cinco meses, cresce em intensidade, gerando críticas e preocupações ambientais entre a população local.

A origem do problema e relatos da comunidade

A principal suspeita dos moradores recai sobre obras de edifícios de alto padrão na região, como o caso do edifício Domo, que utiliza placas de EPS em sua fachada. Enquanto o material tem vantagens na construção por ser leve e ajudar a economizar insumos, sua manipulação indevida acaba resultando na dispersão pelo vento, especialmente em bairros como Meireles. Tommaso Giarrizzo, professor do Labomar/UFC, batizou a situação de "nevasca de isopor". Ele e outros moradores, como a personal trainer Gabriela Capdeville, relatam dificuldades para manter seus lares limpos e preocupações com a saúde de animais domésticos, que acabam ingerindo o material acidentalmente.

Riscos ambientais e à saúde

Segundo especialistas, o isopor disperso carrega poluentes orgânicos persistentes (POPs), como aditivos químicos tóxicos, representando riscos não apenas para o oceano, dada a proximidade litorânea, mas também para a saúde humana. O acúmulo do material em bueiros, quintais e corpos d’água potencializa a contaminação ambiental e demanda respostas rápidas das autoridades.

Fiscalização e medidas adotadas

A empresa responsável pelo revestimento do edifício Domo, STO Brasil, reconheceu falhas no processo e afirmou já ter reforçado as medidas de contenção de resíduos, embora o problema persista. A prefeitura, por meio da Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), em vistoria recente, constatou ausência da licença de execução e de documentos obrigatórios na obra, emitindo advertência à construtora para regularização. Sobre a dispersão do isopor, a Agefis informa não ter mensurado a quantidade de material encontrado, mas promete continuar acompanhando o caso e intensificar as inspeções caso novas irregularidades sejam identificadas.

Desafios na construção civil e descarte responsável

Para a construção civil, o uso de EPS é visto como inovação sustentável para alívio de cargas e economia de materiais. Contudo, como destaca Lucas Rozzoline, mestre em desenvolvimento sustentável, a manipulação e descarte do material exigem procedimentos rigorosos, sob risco de ampliação da poluição urbana e danos ambientais duradouros.

Moradores podem registrar denúncias pelo telefone 156, ou usando o aplicativo Fiscalize Fortaleza. Enquanto se aguardam soluções definitivas, o caso serve de alerta para cidades que enfrentam expansão imobiliária acelerada e exige maior monitoramento da relação entre desenvolvimento urbano e responsabilidade ambiental.

Fique por dentro das últimas notícias do Brasil em amazonclimate.live