Introdução
A Natura, uma das principais empresas de cosméticos do Brasil, apresentou recentemente um relatório que destaca os riscos que a mudança climática na Amazônia representa para suas operações. Segundo a empresa, a alteração no clima pode impactar cerca de R$ 584,2 milhões em vendas, o que corresponde a 2,6% da receita líquida prevista para 2025. Esse dado é alarmante e reflete a vulnerabilidade das cadeias de suprimento que dependem de ingredientes extraídos do bioma amazônico.
Ingredientes em risco
O relatório aponta que três ingredientes fundamentais para a Natura — castanha-do-pará, cupuaçu e murumuru — estão diretamente expostos a eventos climáticos extremos. Historicamente, esses produtos já sofreram impactos devido à dinâmica das chuvas e ao estresse hídrico exacerbados por fenômenos como o El Niño, que provoca secas severas na região.
Cenários futuros
A análise da empresa considerou diferentes cenários de aquecimento global, variando de 1,4°C a 4,4°C. Mesmo na projeção mais otimista, onde se alcança a neutralidade de carbono, a Natura ainda prevê altos níveis de exposição no fornecimento de seus ingredientes até 2030. Em um cenário de alto aquecimento, a situação torna-se ainda mais crítica até 2050.
Medidas de mitigação
A Natura está adotando estratégias para reduzir sua vulnerabilidade. Entre as ações estão:
- Estocagem de castanha-do-pará para compensar quedas de safra;
- Aumento das áreas de cultivo de cupuaçu e melhorias na produtividade;
- Investimentos em nova agroindústria para processar murumuru.
Essas medidas visam não apenas mitigar os impactos da mudança Climática, mas também garantir a continuidade das operações da empresa em um cenário cada vez mais desafiador.
Estruturas em risco
Além dos produtos, a Natura identificou que 42% de suas instalações, incluindo fábricas e centros de distribuição, estão sob risco. Estima-se que ondas de calor e tempestades possam representar perdas que variam de R$ 45,5 milhões a R$ 53,5 milhões em infraestrutura, caso não sejam adotadas medidas preventivas. Para garantir a segurança de suas operações, a empresa já contratou R$ 6 bilhões em cobertura de seguros.
O que está em jogo
A complexidade dos dados sobre commodities essenciais, como óleo de palma e papel, também foi identificada como uma vulnerabilidade. Embora o risco associado a esses insumos seja menor, a Natura não conseguiu calcular o valor exato devido à complexidade dos fatores envolvidos. Os custos com esses insumos devem totalizar R$ 1,7 bilhão em 2025.
Por que isso importa
O relatório representa um marco para a Natura, sendo o primeiro a seguir normas internacionais sobre divulgação de dados climáticos. A iniciativa surge em um contexto em que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) permitiu que a divulgação sobre sustentabilidade tivesse caráter voluntário, o que gerou controvérsias e ações judiciais. Essa transparência é vista como crucial para a integração entre sustentabilidade e finanças, especialmente em um cenário global onde a proteção ambiental se torna cada vez mais relevante.
O que vem a seguir
Com o compromisso de revelar como as mudanças climáticas afetam suas operações, a Natura convida outras empresas a adotar práticas semelhantes. A expectativa é que, ao compartilhar experiências, a transição para uma economia mais sustentável se acelere. Além disso, a empresa já emitiu títulos de dívida verde no valor de R$ 700 milhões, vinculados a metas de uso de plástico sustentável, reforçando seu compromisso com a sustentabilidade e a redução de emissões.
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