Uma investigação conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal revelou a existência de um grupo organizado que articulava atentados contra prédios públicos e autoridades políticas em Brasília. O alvo principal das conversas monitoradas era o Palácio do Planalto, sede do poder Executivo federal, tendo o grupo detalhado seus planos em grupos restritos no aplicativo Telegram.
O plano e o monitoramento das autoridades
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o grupo era formado por homens que nunca haviam se encontrado pessoalmente. Eles mantinham contato exclusivamente pela internet, onde discutiam a fabricação de explosivos, como coquetéis Molotov, e estratégias para invadir e atacar prédios públicos. Autoridades confirmaram que as conversas não se limitavam à retórica: havia um intenso compartilhamento de manuais de construção de armamentos caseiros, mapas detalhados de edifícios federais e até a planta baixa do Palácio do Planalto, indicando possíveis rotas de acesso e fuga.
O monitoramento foi realizado por especialistas do laboratório Ciberlab, unidade voltada à investigação de crimes cibernéticos no âmbito do Ministério da Justiça. Somente em 2026, o laboratório produziu 103 relatórios envolvendo 50 grupos de ódio diferentes. A rede extremista analisada difundia ideologias neonazistas e incitava crimes como misoginia e apologia ao nazismo, com hierarquias internas e métodos de recrutamento: enquanto o grupo maior contava com mais de 600 membros, um círculo mais fechado reunia 46 pessoas consideradas radicais e capazes de executar ataques.
Detalhes da operação policial
A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades, espalhadas por cinco estados, para desarticular a atuação do grupo radical. Foram apreendidos computadores, celulares e outros dispositivos eletrônicos, que estão sendo analisados para aprofundar as investigações. Os principais alvos são investigados por associação criminosa, apologia ao nazismo e incentivo à prática de crimes violentos contra as instituições brasileiras.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, parte dos membros possuía perfis online com imagens e símbolos nazistas. Eles promoviam discussões de ódio e trocavam instruções sobre aquisição e uso de materiais explosivos. As mensagens monitoradas deixavam claro o objetivo de enviar um recado violento e antidemocrático a partir da capital federal, justamente no contexto de acirramento político e às vésperas do debate entre candidatos do 2º turno das eleições.
Reação oficial e vigilância contra o extremismo
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, ressaltou que a sociedade não pode normalizar comportamentos extremistas e destacou o papel fundamental da internet na propagação desses movimentos. Segundo ele, a atuação articulada entre órgãos de segurança foi crucial para impedir a realização de ataques reais, e o combate ao extremismo precisa ser permanente.
A operação contou com participação de policiais especializadas em cibercrime, responsáveis por rastrear e identificar integrantes dos grupos, inclusive aqueles que manifestaram misoginia explícita durante as conversas. As autoridades reforçaram o chamado à vigilância constante da sociedade diante de ameaças à democracia e ao pluralismo.
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