O aumento do risco de incêndios florestais entre agosto e outubro, impulsionado pelo fenômeno climático El Niño, levou o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) a intensificar suas articulações com governos estaduais e o Distrito Federal. O objetivo é alinhar estratégias para prevenção e combate aos incêndios que ameaçam especialmente a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal.

União e estados antecipam estratégias contra incêndios

Com o alerta para a intensificação do El Niño até dezembro, representantes de 12 estados brasileiros estiveram reunidos no dia 19 em Brasília na terceira reunião da Câmara Técnica Permanente de Articulação Interfederativa do Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (COMIF). O destaque do encontro foi o compartilhamento de planos estaduais que ressaltam áreas vulneráveis, visando unir esforços para distribuir equipes, insumos e recursos nas regiões prioritárias.

Onze unidades federativas — Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Piauí, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Distrito Federal — já enviaram oficialmente ao MMA diagnósticos com mapas dos territórios mais sensíveis. O objetivo é cruzar o planejamento estadual e federal, evitar sobreposição de esforços e cobrir eventuais lacunas de atuação.

Mobilização amparada em políticas nacionais

As ações de prevenção se ancoram na Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, instituída pela Lei nº 14.944 de 2024. Essa política determina uma atuação coordenada entre União, estados, municípios, setor privado e sociedade civil, especialmente em áreas de diferentes jurisdições e regimes de proteção. A Recomendação COMIF nº 5/2026 orienta todos os entes federativos a adotar medidas preventivas, elaborando Planos de Manejo Integrado do Fogo (PMIFs).

Segundo André Lima, secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, "A definição das áreas prioritárias permite que União e estados organizem suas ações de forma coordenada, considerando as especificidades de cada território". O foco é antecipação: equipes, recursos e equipamentos devem chegar antes e durante cada temporada crítica.

Parcerias institucionais fortalecidas

Além dos governos estaduais, participaram do encontro representantes do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal, do Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares (Ligabom), do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

De acordo com o MMA, este esforço conjunto representa uma nova etapa diante do agravamento climático registrado para o segundo semestre de 2026. Desde o início do ano, há monitoramento meteorológico contínuo para orientar decisões, e estados já começaram a adaptar planos de contingência à luz das projeções mais recentes.

Próximos passos e desafios

Os próximos meses serão decisivos para a eficácia dessas medidas preventivas. As definições acordadas servirão para orientar o fluxo de ações e aprimorar a integração entre diferentes níveis de governo. A experiência atual também será um teste para os instrumentos da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, que busca tornar contínua a cooperação contra as queimadas em todo o país.

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