O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, escreveu neste sábado (8) uma carta ao ex-presidente Jair Bolsonaro expressando indignação com a proibição de visitá-lo no Dia dos Pais. A restrição foi mantida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que já havia determinado a suspensão de visitas de familiares desde 17 de julho, ampliando, no caso de Flávio, o veto para 90 dias após episódio de divulgação de uma carta atribuída ao pai.

Restrição judicial impede contato familiar

Na decisão, Alexandre de Moraes justificou que o senador violou as regras impostas à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro ao publicar carta do ex-presidente, razão pela qual foi afastado do convívio presencial por três meses. Outros familiares, como Carlos e Jair Renan, também tiveram negado o pedido para um encontro excepcional no Dia dos Pais, apesar dos apelos da defesa, que destacou o caráter humanitário da solicitação.

Durante o período, apenas advogados, médicos e fisioterapeutas estão autorizados a visitar Jair Bolsonaro, que segue sob restrição de uso de celular, internet e redes sociais, direta ou indiretamente. O acesso de Flávio, que também integra a equipe de defesa, foi bloqueado até após o primeiro turno da eleição presidencial, previsto para 4 de outubro de 2026.

Reação emocional e discurso político

Na carta, Flávio Bolsonaro afirma que a medida é “desumana, insana e injusta”, ressaltando a tristeza por não poder estar com o pai em uma data simbólica. O senador ainda compartilha sua angústia ao receber notícias sobre a saúde e o estado emocional do pai por terceiros e reforça sua fé para superar o momento. "Tô com saudade de ouvir sua voz, sua risada, suas piadas sem graça. Mas não tem mal que dure pra sempre", escreveu.

Flávio também menciona o apoio de lideranças do centrão à sua candidatura. Segundo ele, apesar de não contar com o respaldo formal de partidos aliados, “as principais lideranças estão com a gente”, resultado de articulações políticas recentes junto ao senador Rogério Marinho.

Pesquisa indica opinião dividida da sociedade

O impasse em torno das visitas alimentou o debate político e ecoou no eleitorado. Pesquisa Datafolha realizada em julho mostrou que 59% dos eleitores consideraram inadequada a decisão de barrar Flávio, enquanto 62% apoiaram que Bolsonaro permaneça restrito das redes sociais durante a prisão domiciliar.

Neste domingo (9), Dia dos Pais, Flávio participou de um culto da Igreja Mundial do Poder de Deus, em São Paulo, evento no qual esteve acompanhado, entre outros, do ex-deputado Eduardo Cunha e da deputada federal Dani Cunha, mas sem o pai presente devido às restrições.

Repercussão na campanha e próximas etapas

A impossibilidade do encontro no Dia dos Pais transformou-se em tema da campanha de Flávio, que segue tentando expandir sua base de apoio oficialmente e busca sensibilizar o eleitorado ao tratar o episódio como questão humanitária. O debate sobre a relação entre decisões judiciais, direitos familiares e o contexto eleitoral deve continuar pautando discussões até o pleito em outubro.

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