A ideia de um "fim do mundo" marcado para 13 de novembro de 2026, baseada em um estudo científico de 1960, voltou a circular nas redes e desperta curiosidade. À época, os pesquisadores Heinz von Foerster, Patricia M. Mora e Lawrence W. Amiot, ao analisar dois milênios de dados demográficos, projetaram matematicamente que o crescimento da população mundial se aceleraria até se tornar "infinito" exatamente nesta data. Por mais intrigante que a previsão seja, a evolução demográfica real seguiu um caminho bem diferente.

Os autores do estudo publicado na revista Science observaram que o tempo necessário para duplicar a população global estava caindo rapidamente até os anos 1950. Extrapolando essa aceleração sem considerar mudanças sociais ou econômicas futuras, chegaram a um modelo onde a duplicação chegaria a zero em 2026, resultando na alegoria do "Dia do Juízo Final" — não causado por catástrofes externas, mas pelas próprias forças do crescimento populacional.

Por que isso importa

A previsão de 1960 não se concretizou por motivos diretamente ligados às transformações sociais e econômicas ocorridas nas décadas seguintes. Com avanços em saúde, educação e políticas de controle de natalidade, muitos países — inclusive o Brasil — viram as taxas de fertilidade despencarem. As mais recentes projeções da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que a população global, atualmente em cerca de 8 bilhões, crescerá de forma mais lenta até atingir um pico estimado de 10,3 bilhões em meados da década de 2080, para depois iniciar uma retração gradual.

Esses dados reforçam como a dinâmica populacional global depende de múltiplos fatores e pode ser profundamente afetada por políticas públicas, desenvolvimento econômico e mudanças culturais. O estudo de 1960 não previu, por exemplo, o impacto que a popularização do acesso à educação e métodos contraceptivos teria no comportamento reprodutivo.

O que vem a seguir

O cenário populacional para os próximos anos aponta para uma desaceleração do crescimento, afastando temores antigos sobre superpopulação desenfreada. A preocupação atual de cientistas e demógrafos mudou de direção: o desafio agora inclui envelhecimento da população, redução de força de trabalho em alguns países e as consequências socioeconômicas desses processos.

Em paralelo, estudos sobre o futuro da Terra em escala geológica indicam que nossa atmosfera rica em oxigênio deve se manter viável por pelo menos mais 1 bilhão de anos, de acordo com simulações recentes publicadas por equipes japonesas e americanas apoiadas pela Nasa. Ou seja, o "fim do mundo" segue distante, mesmo com a diminuição da adequação do planeta para organismos avançados num horizonte de bilhões de anos.

Ao olhar para trás, o caso da previsão demográfica de 1960 ensina a importância de encarar modelos matemáticos com cautela e considerar sempre as profundas mudanças sociais e tecnológicas capazes de alterar tendências históricas. Para a sociedade brasileira, o debate sobre população deve incluir as implicações atuais de natalidade em queda, envelhecimento e desenvolvimento humano. Continue acompanhando mais análises e notícias em amazonclimate.live.

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