O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou recentemente que há 95% de chance de que o fenômeno climático conhecido como El Niño se manifeste de forma intensa nos próximos meses, especificamente entre o final de 2026 e o início de 2027. Essa previsão, oriunda da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), também destaca uma probabilidade de 69% de que a intensidade deste El Niño seja a maior registrada desde 1950.

O que é o El Niño?

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical, o que pode alterar a circulação atmosférica global. Este fenômeno é conhecido por impactar o clima em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil, especialmente nas regiões Sul, Norte e Nordeste. A previsão atual indica que o aquecimento das águas pode ultrapassar 2,5ºC, afetando significativamente os padrões de chuvas e temperaturas.

Impactos previstos

De acordo com o pesquisador Marcus Polette, do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), os efeitos do El Niño podem incluir riscos elevados de inundações, deslizamentos de terra e enxurradas nas zonas costeiras brasileiras. Ele ressalta que "o El Niño modifica a circulação atmosférica e oceânica em escala global, alterando o regime de chuvas, as temperaturas e a frequência de eventos extremos".

Esses impactos são ainda mais preocupantes em um cenário de mudanças climáticas, onde eventos extremos se tornam mais frequentes e intensos. Polette, que também é professor na Universidade do Vale do Itajaí (Univali), alerta sobre a vulnerabilidade das cidades e ecossistemas costeiros, que enfrentam riscos como secas, enchentes e erosão costeira.

Situação atual e previsões

Desde o início do fenômeno, em junho, já foram observadas mudanças climáticas significativas no Brasil, especialmente na Região Sul, onde as chuvas têm se apresentado entre 30% e 90% acima da média histórica para o período. As previsões indicam que o El Niño deve persistir até março de 2027, mantendo um padrão de chuvas acima da média no Sul, enquanto as regiões Norte e Nordeste podem enfrentar um déficit hídrico a partir de outubro.

O professor Micael Cecchini, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), destaca que o Sul é uma das áreas mais vulneráveis devido à sua configuração climática. Ele explica que o fenômeno pode favorecer uma configuração de bloqueio atmosférico, dificultando o avanço de frentes frias e intensificando as chuvas na região.

O registro de precipitações extremas em 2024, que causaram estragos significativos, serve como um alerta para os riscos que um El Niño intenso pode trazer. Com isso, as autoridades e a população devem se preparar para os possíveis impactos climáticos e sociais que estão por vir.

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