A 17ª Conferência das Partes (COP17) da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) ocorre em Ulaanbaatar, na Mongólia, até 28 de agosto. Com a participação de 197 países, o evento discute a degradação das terras, a desertificação e as secas, temas que impactam diretamente a agricultura e a biodiversidade global. A conferência visa abordar questões como a recuperação de áreas afetadas, a gestão hídrica e a segurança alimentar, além de buscar soluções financeiras para os desafios enfrentados.

O Brasil se apresenta na COP17 com a Meta Voluntária de Neutralidade da Degradação da Terra para 2030, que inclui a recuperação de mais de 163 mil km² e o manejo sustentável em 3,51 milhões de km². A delegação brasileira também trouxe à tona o Plano de Ação de Combate à Desertificação e o programa Recaatingar, que visa a recuperação da vegetação na Caatinga. No entanto, o cenário nacional é alarmante: cerca de 28% do território brasileiro enfrenta algum nível de degradação, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente.

Por que isso importa

A degradação da terra afeta não apenas a vegetação, mas também as comunidades que dependem dela para viver. Aproximadamente 39 milhões de brasileiros residem em áreas vulneráveis à desertificação, principalmente na Caatinga e no Cerrado. O especialista Natham Ribeiro Martins, professor do Centro Universitário Arnaldo Janssen, destaca que o Brasil enfrenta desafios técnicos e políticos significativos, como a falta de uma política de estado para questões ambientais e a necessidade de práticas de conservação eficazes. Isso se agrava pela dependência das decisões governamentais, que podem variar a cada nova administração.

Além dos desafios internos, a COP17 é marcada por críticas de grupos da sociedade civil e povos indígenas. Eles apontam a exclusão de temas relevantes, como gênero, e exigem mais participação nas decisões que afetam seus direitos e territórios. A falta de recursos para implementar as ações necessárias e a dificuldade em atrair investimentos para restauração e conservação são questões que precisam ser resolvidas urgentemente.

O que vem a seguir

Os anúncios financeiros durante a COP17, embora significativos — totalizando cerca de US$ 1,3 bilhão — ainda estão aquém do necessário, que é estimado em cerca de US$ 278 bilhões para a restauração de terras e enfrentamento da seca. Os países participantes discutem estratégias para aumentar a participação do setor privado e desenvolver mecanismos financeiros que possam apoiar projetos de restauração e conservação. O sucesso das metas apresentadas pelo Brasil dependerá não apenas de compromissos políticos, mas também de um engajamento efetivo da sociedade e do setor privado na busca por soluções sustentáveis.

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