O Aeroporto Campo de Marte, localizado na zona norte de São Paulo, passará a operar voos por instrumentos (sistema IFR) em caráter restrito a partir desta semana. Conforme divulgado pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), essa modalidade permitirá operações mesmo sob condições climáticas adversas, como nevoeiro ou chuva fina, porém somente em um curto período: das 6h às 6h59 da manhã, totalizando apenas 59 minutos diários. Além disso, haverá um limite rigoroso de apenas quatro pousos ou decolagens nesse intervalo, atendendo a normas de segurança da aviação.

O que muda na operação do Campo de Marte?

Até agora, o Campo de Marte autorizava apenas voos visualmente guiados pelos pilotos (VFR), inviabilizando as operações em dias nublados, comuns na capital paulista. Com a adoção da operação IFR, baseada em instrumentos e computadores de bordo, passa a ser possível voar mesmo quando a visibilidade estiver comprometida.

O novo esquema, porém, mantém o foco em segurança: exceções são restritas ao início da manhã e ao número reduzido de movimentos. Segundo o DECEA, isso evita congestionamentos e riscos durante as operações em condições meteorológicas menos favoráveis.

Impactos urbanísticos: restrição no raio e altura de edificações

A implementação dos voos por instrumentos estende também as restrições urbanísticas no entorno do aeroporto. Antes, o limite de altura dos edifícios ao redor do Campo de Marte era aplicado em um raio de 2,5 quilômetros, atingindo poucos bairros. Desde o início de 2026, o novo regulamento expandiu este raio para 20 quilômetros, incluindo grande parte das zonas urbanas de São Paulo e cidades vizinhas.

Agora, construções que ultrapassem 45 metros acima da altura do terminal (723 metros do nível do mar) requerem autorização expressa do Comando da Aeronáutica (COMAER). Projetos com mais de 828 metros de altura absoluta dentro de 20 km do aeroporto também passam a ser avaliados, visando garantir a segurança das operações aéreas. Obras abaixo desses limites, ou fora do raio, precisam de uma declaração simplificada de inexigibilidade de análise, que pode ser emitida automaticamente pelo sistema da Força Aérea.

Aviação executiva: continuidade e exigências

O Campo de Marte permanece atendendo principalmente jatos e helicópteros da aviação executiva. Todavia, eventuais descumprimentos das restrições podem resultar em exigências para adequação dos edifícios, com possibilidade de demolição parcial em casos extremos. As análises consideram altura total, localização e relação com rotas de aproximação ou decolagem. Algumas edificações, mesmo excedendo o limite, podem ser aceitas com a instalação de sinalização ou iluminação especial em seus topos.

Próximos passos e recomendações

Especialistas e autoridades destacam que a medida aumenta a segurança operacional e alinha o Campo de Marte aos padrões de aeroportos que funcionam sob influência frequente do clima. O novo procedimento representa um avanço, mas também impõe desafios adicionais para construtoras e proprietários de imóveis próximos ao aeroporto, que precisam estar atentos às normas em vigor para evitar obras irregulares.

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