O Brasil protagonizará discussões globais sobre combate à desertificação ao apresentar 35 atividades no Pavilhão Brasil durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17/UNCCD). O evento será realizado entre 17 e 28 de agosto de 2026, em Ulaanbaatar, Mongólia, e contará com representantes de diversos ministérios, órgãos ambientais, entidades indígenas e da sociedade civil brasileira.

Destaques das iniciativas brasileiras na COP17

A participação nacional engloba temas centrais como restauração de ecossistemas, segurança hídrica, justiça climática, participação das juventudes e fortalecimento das comunidades tradicionais, sobretudo das regiões da caatinga e do semiárido nordestino. Entre as atividades estão:

  • "Water Access in Semi-Arid Regions", sobre o acesso à água no semiárido, liderada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e IFAD;
  • "Vozes da Caatinga no Semiárido Global: Juventudes na Linha de Frente da Desertificação", com foco em jovens protagonistas;
  • "Unidades de Conservação como Estratégia Integrada de Restauração", evidenciando a cooperação entre governos estaduais e comunidades tradicionais;
  • "Restauração Socioprodutiva da Caatinga", por ASA Brasil, ressaltando articulação comunitária;
  • Propostas voltadas à justiça climática, enfrentamento do racismo ambiental e promoção de financiamento direto para povos indígenas e tradicionais.

Diversidade de propostas e cooperação internacional

O portfólio de iniciativas do Brasil também inclui painéis sobre agricultura resiliente, manejo sustentável das terras secas, educação ambiental orientada a eventos extremos e estratégias inovadoras de uso de recursos hídricos. Vários projetos buscam ampliar a cooperação Sul-Sul, como o ETNOCAATINGA, além do intercâmbio de experiências com países da América Latina e África.

Temas de governança e financiamento para restauração em áreas degradadas também compõem a agenda. O protagonismo de mulheres indígenas, comunidades quilombolas, juventudes e instituições científicas nacionais reforça o compromisso do país tanto com a dimensão ambiental quanto com a justiça social.

Compromisso brasileiro diante da crise da terra

A delegação brasileira, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), enfatiza a relevância da restauração dos biomas Caatinga e Cerrado, reconhecendo sua extrema vulnerabilidade à desertificação. Além disso, serão apresentados estudos sobre mudanças no regime de secas e aridificação, com participação de universidades, centros de pesquisa e organismos internacionais.

Próximos passos e relevância internacional

Ao reunir experiências bem-sucedidas no semiárido e promover o intercâmbio com demais países afetados pela desertificação, o Brasil posiciona-se como referência global em soluções integradas para a resiliência climática e restauração da terra. O resultado das atividades pode influenciar políticas públicas nacionais e inspirar iniciativas internacionais frente ao avanço da degradação ambiental.

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