Com promessas de mais energia, libido em alta, músculos definidos e até rejuvenescimento, a terapia de reposição de testosterona tem conquistado espaço entre as mulheres brasileiras, principalmente nas redes sociais. No entanto, tanto especialistas quanto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vêm alertando para o perigo das generalizações e para a disseminação de informações inadequadas que circulam na internet sobre o tema.

Alerta contra simplificações perigosas

A endocrinologista Dra. Patrícia Menegusso, que atua na saúde da mulher, climatério e menopausa, destaca que a popularização da testosterona como um “hormônio da juventude” distorce uma realidade clínica muito mais complexa. De acordo com a médica, a ideia errada de que toda mulher acima dos 40 anos precisa repor testosterona desconsidera fatores individuais e pode resultar em risco à saúde. "A testosterona não deve ser tratada como um item obrigatório para todas. Essa visão simplifica de maneira perigosa uma questão que exige avaliação médica detalhada", explica.

Nem todo sintoma é falta de testosterona

Segundo Menegusso, sintomas como redução da libido, alteração da composição corporal, cansaço e mal-estar geralmente associados ao climatério podem ter múltiplas origens. “Quando uma paciente chega ao consultório com queixas de fadiga e baixa libido, não se pode atribuir automaticamente isso à deficiência de testosterona. Existem causas variadas: qualidade do sono, fatores emocionais, uso de medicamentos, questões do relacionamento e outras condições clínicas precisam ser investigados”, ressalta.

Riscos do uso sem indicação médica

A Anvisa reforça que promessas genéricas de rejuvenescimento ou benefícios estéticos ligados ao uso de testosterona devem ser vistas com cuidado. O uso inadequado pode desencadear efeitos colaterais como acne, queda de cabelo, alterações no colesterol, problemas hepáticos e outros riscos.

Para Menegusso, o fenômeno preocupante é justamente transformar uma decisão que deveria ser restrita ao consultório em tendência nas redes sociais. “A libido feminina, por exemplo, envolve fatores psicológicos, físicos e sociais — não é determinado apenas pelo nível de um hormônio”, pondera.

Avaliação individual é fundamental

O acompanhamento médico é imprescindível, pois a menopausa afeta a saúde de modo multifacetado — impactando sono, composição corporal, humor e bem-estar. “O alerta contra o uso indiscriminado não significa descartar totalmente tratamentos hormonais, mas sim exigir indicação correta e acompanhamento individualizado”, enfatiza a médica. A Anvisa, por sua vez, reitera que a testosterona é um medicamento controlado e deve ser prescrita somente diante de necessidade comprovada.

O maior debate sobre menopausa e longevidade, que ganhou força nos últimos anos, é bem-vindo, mas a desinformação pode colocar mulheres em risco. Segundo a especialista, só informação de qualidade pode ajudar as pacientes a tomarem decisões mais seguras.

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