Fenômeno climático em ascensão

O Brasil se prepara para enfrentar um dos episódios mais intensos do El Niño já registrados, conhecido como Super El Niño. De acordo com informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), esse fenômeno deve atingir um nível elevado de intensidade no segundo semestre de 2026, com os efeitos se estendendo até 2027.

Impactos climáticos variados

Os efeitos do Super El Niño não serão uniformes em todo o país. No Sul, espera-se um aumento das chuvas, o que pode gerar temporais e alagamentos. Em contrapartida, o Norte e o Nordeste devem enfrentar períodos de seca, reduzindo a disponibilidade de água para a agricultura e pecuária. O centro-norte do Brasil também verá um aumento nas temperaturas, elevando o risco de ondas de calor, o que gera preocupação para a produção agrícola.

Consequências para a agricultura

Culturas sensíveis ao clima, como arroz, feijão, milho e hortaliças, devem ser as mais afetadas pelas oscilações climáticas extremas. O impacto no bolso do consumidor, no entanto, deve ser sentido mais tarde, com previsão de um aumento significativo no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2027. As estimativas apontam que a inflação poderá ter uma pressão de até 0,9 ponto percentual, influenciada principalmente pelos alimentos.

Arroz e feijão: os pilares da mesa brasileira

Arroz e feijão são fundamentais na dieta do brasileiro e têm influência considerável no cálculo do IPCA. Qualquer variação nos preços desses produtos pode refletir rapidamente nas contas das famílias. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a produção de arroz na safra 2025/26 caiu em cerca de 13%, e a de feijão em 5%, o que torna esses produtos ainda mais vulneráveis a novas mudanças climáticas.

Cenário de preços em 2027

Historicamente, os impactos sobre os preços aparecem entre nove e dez meses após o pico do fenômeno climático. Portanto, os primeiros a sentir a pressão nos preços devem ser os hortifrutigranjeiros, especialmente nas regiões com chuvas intensas. Já no segundo semestre de 2027, o aumento deverá se estender para os grãos, como arroz e feijão, e posteriormente afetar as proteínas animais, como a carne bovina, devido ao aumento nos custos do milho utilizado na alimentação dos animais.

Considerações finais

Diante desse cenário, o impacto do Super El Niño nas safras e nos preços dos alimentos deve ser monitorado com atenção. As famílias brasileiras, especialmente as de menor renda, sentirão os efeitos das oscilações nos preços, que podem comprometer ainda mais o acesso a alimentos básicos, essenciais para a alimentação diária.

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