A primavera tem início oficial nesta terça-feira, 22 de setembro, às 21h05, e deve ser marcada por extremos climáticos em todo o Brasil devido ao El Niño mais intenso já registrado. Dados divulgados pela Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) apontam que a temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial atingiu patamares históricos, confirmando a força do fenômeno.
Meteorologistas como Estael Sias, da MetSul, e Josélia Pegorim, da Climatempo, alertam que o El Niño já apresenta intensidade inédita, impactando diretamente o padrão do clima na estação. Segundo Pegorim, a tendência é de eventos extremos no Sul, com chuvas intensas, e agravamento da seca no Norte e Nordeste. O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE) e boletins do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) reforçam as previsões de chuvas acima da média principalmente no Sul do país.
Por que isso importa
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando padrões de chuva e temperatura em várias regiões do planeta. No Brasil, o reflexo mais comum é o aumento das chuvas no Sul e redução drástica das precipitações no Norte e Nordeste, cenário que se intensifica em anos de forte ocorrência do fenômeno. Em 2023, o país enfrentou recordes históricos de calor e chuvas extremas, especialmente no Rio Grande do Sul, resultando em danos à infraestrutura e perdas econômicas expressivas.
Para este ano, a expectativa é de déficit de chuva no Norte, Nordeste, parte do Centro-Oeste e Sudeste, afetando estados como Mato Grosso, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Por outro lado, toda a região Sul, o sul do Mato Grosso do Sul, extremo oeste e sul de São Paulo devem ter volumes muito acima da média. O aquecimento global agrava essas tendências, com Previsão de temperaturas até 2°C acima da média histórica em algumas áreas e aumento do risco de queimadas, especialmente no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
O que vem a seguir
Com o El Niño previsto para se intensificar até dezembro, especialistas projetam maior frequência de enchentes, tempestades severas e calor extremo em diferentes regiões. O Inmet aponta que, no Sul, acumulados de chuva podem ultrapassar a média em até 200 mm, sobretudo no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Já no Norte, a estiagem deve atrasar a recuperação do nível dos rios, impactando a navegação e a vida das populações ribeirinhas. No Sudeste, incluindo a capital paulista, há preocupação com excesso de chuva e enchentes pontuais.
O monitoramento diário de dados por órgãos nacionais como INPE e Inmet será fundamental para antecipar possíveis emergências climáticas e orientar a população. Agricultores, setor elétrico e autoridades devem redobrar a atenção aos alertas e boletins meteorológicos, já que os extremos previstos podem ampliar os desafios de gestão hídrica e segurança alimentar. Para acompanhar as atualizações sobre mudanças climáticas e impactos regionais, continue acompanhando amazonclimate.live.



