As mudanças climáticas estão alterando profundamente os hábitos e habitats das borboletas em todo o planeta. Uma pesquisa publicada na revista científica Nature Ecology and Evolution em 5 de agosto revelou que 80% das espécies de borboletas analisadas ampliaram a sua área de distribuição nos últimos anos. Esse fenômeno ocorre, principalmente, devido ao aumento de eventos climáticos extremos, como ondas de calor e períodos prolongados de seca.
Expansão dos habitats e busca por refúgio
Segundo o estudo, que reuniu dados de 1.758 espécies de borboletas — aproximadamente 10% das espécies conhecidas globalmente — em 105 países, foi possível mapear a busca desses insetos por "refúgios climáticos". Em 79% dos casos de mudança de distribuição observada, o motivo está diretamente ligado ao impacto de eventos extremos, que obrigam as borboletas a se deslocarem, muitas vezes para regiões antes inexploradas.
Aumentos, reduções e deslocamentos altitudinais
Embora a maioria das espécies tenha conseguido ampliar suas áreas horizontais em vários continentes, esse fenômeno foi especialmente observado em países tropicais, conhecidos pela alta diversidade dessas espécies. Apesar disso, o levantamento destaca que 27% das espécies sofreram redução em seu território e 22% migraram para regiões de maior altitude em busca de temperaturas mais amenas, sobretudo no Hemisfério Norte.
Em regiões temperadas como Europa e América do Norte, o encolhimento das áreas de ocorrência das borboletas é particularmente marcante. Já no que se refere à movimentação para regiões mais elevadas, esses deslocamentos são praticamente exclusivos do hemisfério norte, refletindo a gravidade do aquecimento global nessas regiões.
Lacunas nos trópicos e importância para a Amazônia
O pesquisador Shawan Chowdhury, da Universidade de Monash, na Austrália, ressalta que a mobilidade das borboletas diante do cenário climático é mais intensa do que se imaginava, incluindo áreas tropicais e megadiversas, como a Amazônia brasileira. Entretanto, o estudo aponta para grandes lacunas de dados justamente nessas áreas ricas em biodiversidade: em países tropicais, apenas cerca de 10% das espécies tiveram suas mudanças no habitat registradas, enquanto na Europa, por exemplo, este número ultrapassa 50%.
Os autores do artigo enfatizam a necessidade de ampliar a coleta de dados em regiões como a Bacia Amazônica, o Sudeste Asiático e a África Central. Isso é fundamental para entender a real dimensão das consequências das mudanças climáticas na biodiversidade, especialmente em locais que concentram grande parte das espécies mundiais e enfrentam desafios extras de conservação.
Próximos passos e desafios
A crescente busca das borboletas por refúgios climáticos é um alerta para pesquisadores, ambientalistas e gestores públicos, principalmente em países como o Brasil, onde a riqueza de espécies e a vulnerabilidade ambiental são elevadas. Investir em monitoramento e proteção dos habitats naturais é fundamental para garantir a sobrevivência dessas espécies diante do avanço das mudanças climáticas.
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