O aumento acentuado das temperaturas globais provocado pelo fenômeno El Niño pode resultar em 13,3 mil mortes por calor no Brasil entre setembro e fevereiro, segundo relatório divulgado pelo Climate Impact Lab da Universidade de Chicago. O levantamento coloca o Brasil como o quinto país do mundo mais impactado, atrás de Nigéria, Indonésia, Sudão e Índia.

Projeções alarmantes para o Brasil e o mundo

Cientistas do laboratório climático norte-americano projetam que as temperaturas globais devem ficar até 1,2°C acima da média devido ao chamado "Super El Niño", que começou em junho e tem previsão de seguir até fevereiro de 2027. Estima-se que no planeta inteiro podem ocorrer até 451 mil mortes ligadas ao excesso de calor durante apenas a primeira metade do evento, representando 239 mil mortes a mais que as normalmente observadas em anos sem a influência do El Niño.

No Brasil, o relatório prevê que o número de mortes entre setembro e fevereiro deve ser 8 mil acima da média para um período regular. De acordo com a análise, países do Sul Global são particularmente vulneráveis aos efeitos das ondas de calor intensificadas pelo fenômeno climático.

Contexto internacional e populações mais afetadas

Além do Brasil, o relatório destaca impactos severos nos países africanos do Sahel (com destaque para a Nigéria, que pode perder cerca de 31,4 mil vidas), bem como em nações do Sudeste Asiático e no subcontinente indiano. No Sudão, são estimadas 17,5 mil mortes adicionais, enquanto Indonésia, Índia, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja estarão entre os países mais afetados pelo aumento nas temperaturas.

Soluções e recomendações para mitigar riscos

O relatório enfatiza que o aprofundamento das evidências permite a implementação de estratégias de adaptação eficazes. Entre as ações sugeridas estão:

  • Financiamento antecipado para emergências climáticas;
  • Implantação de sistemas de alerta precoce para ondas de calor;
  • Planos de ação em saúde direcionados a populações mais vulneráveis;
  • Expansão do acesso à água e tecnologias de resfriamento;
  • Monitoramento especializado de sintomas de doenças relacionadas ao calor.

Segundo os pesquisadores, estas medidas podem salvar vidas ao permitir resposta rápida e direcionada, especialmente em regiões com infraestrutura de saúde mais precária.

Próximos passos e monitoramento do cenário

Com previsões indicando que o El Niño pode persistir até pelo menos a primavera de 2027 no Hemisfério Norte (outono no Brasil), a expectativa é de que os impactos negativos ainda aumentem nos próximos meses, caso medidas de mitigação não sejam adotadas. O fenômeno demanda atenção de gestores públicos e do setor de saúde para a construção de respostas eficientes diante de eventos climáticos extremos.

Fique por dentro das principais atualizações sobre clima, saúde e El Niño em amazonclimate.live