A intensificação do fenômeno climático El Niño deve marcar o segundo semestre de 2024, trazendo risco elevado de incêndios florestais principalmente para a Amazônia, Cerrado e parte do Brasil Central, conforme análise apresentada em reunião técnica do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) realizada em 16 de julho.

El Niño mais forte até dezembro

Especialistas de órgãos federais, como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), indicaram que o El Niño deve atingir intensidade forte ou até muito forte entre agosto e dezembro. Esse fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e costuma alterar padrões de chuva e temperatura em várias regiões do Brasil.

Impactos nas chuvas e temperaturas

As previsões apontam chuvas abaixo da média em boa parte da região Norte, incluindo o coração da Floresta Amazônica, e também em áreas do Pantanal. O relatório destaca que o cenário pode se agravar caso o El Niño alcance níveis mais intensos. Por outro lado, para a região Sul, há expectativa de chuvas acima dos padrões históricos.

Além disso, as temperaturas permanecerão elevadas em grande parte do Brasil durante agosto, setembro e outubro, o que aumenta ainda mais o risco de incêndios florestais.

Alerta para incêndios entre agosto e outubro

A maior preocupação está concentrada nos meses de agosto a outubro, período tradicionalmente mais seco. Amazonas, Pará, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso são apontados como estados com probabilidade mais elevada de ocorrência de queimadas. O desequilíbrio climático, aliado à vegetação seca, cria condições propícias para a propagação do fogo nessas áreas, o que pode resultar em prejuízos significativos à biodiversidade e à qualidade do ar.

Monitoramento e ações preventivas

A reunião integrou um ciclo de monitoramento iniciado em janeiro pelo MMA para revisar periodicamente as condições climáticas e embasar estratégias de prevenção e combate a incêndios. Esses dados atualizados são essenciais para os esforços de órgãos federais, estaduais e municipais no manejo integrado do fogo.

Diversos centros de pesquisa e universidades, como o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da UFRJ, contribuíram com análises para subsidiar políticas públicas e orientar as equipes em campo.

Próximos passos e recomendação

Diante do cenário apresentado, autoridades e instituições envolvidas reforçam a importância de reforçar o monitoramento e colocar em prática planos de prevenção, além de orientar comunidades e produtores para adoção de práticas que reduzam o risco de incêndios.

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