O fenômeno climático El Niño, que influencia drasticamente os padrões climáticos globais, já alcançou categoria forte e tende a se intensificar nos próximos meses. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa), existe uma chance de 93% do El Niño evoluir para o patamar muito forte a partir de setembro, possivelmente se tornando um dos eventos mais intensos das últimas décadas.

Entenda o El Niño e suas classificações

O El Niño ocorre quando as águas superficiais do oceano Pacífico equatorial ficam mais quentes que a média, alterando a dinâmica dos ventos e a distribuição de chuvas no planeta. Segundo critérios da Noaa, a classificação dos eventos varia conforme o aumento da temperatura da superfície marítima:

  • Fraco: anomalia de 0,5°C a 1°C
  • Moderado: 1°C a 1,5°C
  • Forte: 1,5°C a 2°C
  • Muito forte: acima de 2°C

Na última atualização, o principal indicador do fenômeno, chamado Niño-3.4, apresentou 1,4°C acima da média, colocando o atual El Niño na faixa forte, mas com tendência de subida.

Impactos previstos para o Brasil

No Brasil, o El Niño historicamente provoca condições opostas em diferentes regiões. O fenômeno tende a acarretar:

  • Seca mais intensa nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste
  • Chuvas volumosas e acima da média na região Sul
  • Aumento do risco de incêndios florestais, especialmente na Amazônia e Cerrado
  • Verão potencialmente excepcionalmente quente em grande parte do território nacional

Diante das previsões, o Ministério do Meio Ambiente e da Mudança Climática liberou mais de R$ 300 milhões para ações de prevenção e combate a incêndios. Órgãos estaduais e municipais também reforçam campanhas preventivas.

Intensificação global e cenário de risco

A Noaa alerta que o atual El Niño pode se tornar "super El Niño", fenômeno raro e intenso, com impactos globalmente amplificados pela mudança climática. Dados apontam não apenas aquecimento de superfície, mas também uma quantidade significativa de calor armazenada abaixo do oceano pacífico, com regiões apresentando até 10°C acima do normal – número bem superior ao observado no evento de 2015-2016, considerado excepcionalmente forte.

O meteorologista Tércio Ambrizzi, do Instituto de Energia e Ambiente da USP, destaca que o volume de água quente abaixo da superfície sustenta o calor por meses, prolongando a atuação e os efeitos do El Niño sobre a atmosfera.

Próximos meses e alertas

A expectativa é que o El Niño siga ativo e intenso ao menos até o início do outono de 2027, impactando decisões de manejo hídrico, prevenção a desastres naturais e estratégias agrícolas no Brasil. Autoridades orientam atenção redobrada para regiões vulneráveis à seca e ao fogo, principalmente a Amazônia e áreas agrícolas do Nordeste.

Para acompanhar as atualizações e informações sobre os impactos do El Niño, continue ligado em amazonclimate.live.