O fenômeno climático El Niño, atualmente em curso no Oceano Pacífico, pode chegar ao seu auge como o mais intenso de que há registro, segundo alerta do Met Office, o serviço meteorológico nacional do Reino Unido. A previsão é de impactos globais sem precedentes, inclusive para o Brasil, com a possibilidade de 2027 se tornar o ano mais quente já documentado na história.

El Niño: intensidade histórica preocupa comunidade internacional

O El Niño é um fenômeno natural que ocorre regularmente a cada dois a sete anos, elevando as temperaturas do Oceano Pacífico e alterando padrões de vento e chuva em todo o planeta. De acordo com o Met Office, as atuais temperaturas da superfície do mar no Pacífico estão mais de 2°C acima da média. A expectativa é que essa anomalia ultrapasse 3°C ainda em 2026, o que não é observado desde registros iniciados na década de 1950.

Segundo especialistas, esse El Niño pode superar eventos históricos, sendo talvez o mais intenso em 500 ou até 1.000 anos. O calor armazenado nas camadas profundas do oceano — chegando a 8°C acima do usual em alguns pontos — reforça o potencial extremo deste episódio, segundo cientistas como Zeke Hausfather, do Berkeley Earth.

Impactos diretos no clima brasileiro

No Brasil, os efeitos já são visíveis ou previstos. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) aponta para temperaturas acima da média histórica em grande parte do país, com diferenças de intensidade entre regiões. Nas regiões Sul e Sudeste, o El Niño favorece chuvas acima do normal, elevando o risco de impactos como enxurradas e temporais. Já no Norte e Nordeste, o fenômeno tende a reduzir a precipitação, agravando o cenário de queimadas e secas.

Neste início de agosto de 2026, fenômenos extremos vêm sendo registrados, como a formação de um ciclone-bomba no Sul e Sudeste, com ventos superiores a 120 km/h causando estragos e preocupação. Segundo Diogo Arsego, meteorologista do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), o El Niño, que se instalou em junho, deve manter sua força até o início de 2027, atingindo seu ápice entre outubro e novembro.

Riscos amplificados para extremos climáticos e segurança alimentar

O Met Office destaca que a soma entre El Niño e mudanças climáticas causadas por ações humanas amplia o cenário de risco. Espera-se aumento de eventos extremos em todo o mundo, incluindo ondas de calor e secas. Já se nota alteração nas monções na Índia, redução de furacões no Atlântico tropical, e expectativa de secas severas na Austrália, com mais risco de enchentes em países andinos.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) emitiu alerta sobre a ameaça do El Niño à segurança alimentar de dezenas de milhões de pessoas em países vulneráveis. O calor adicional liberado pelo oceano para a atmosfera intensifica o aquecimento global, podendo garantir que 2027 ultrapasse 2024 como o ano mais quente já registrado, segundo o climatologista Nick Dunstone, do Met Office.

Próximos meses exigem monitoramento constante

A comunidade científica reforça a necessidade de monitoramento atento nos próximos meses, diante da possibilidade de recordes históricos de temperatura e eventos extremos em escala global e nacional. O acompanhamento das previsões oficiais é essencial para governos e setores produtivos se prepararem para os impactos.

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