A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), órgão dos Estados Unidos, elevou a previsão para o fenômeno El Niño, que deve alcançar níveis de intensidade raros nas próximas semanas. Segundo a NOAA, há 93% de chance de El Niño "muito forte" entre setembro e novembro de 2026, com 90% de probabilidade de permanência desse quadro extremo até janeiro. Trata-se de uma situação incomum desde o início das medições, em 1950.

El Niño: conceito e histórico de intensidade

O El Niño consiste no aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno se classifica como "muito forte" quando a temperatura ultrapassa 2°C acima da média histórica. Nos registros modernos, esse patamar só foi superado cinco vezes. O caso mais recente ocorreu entre 2023 e 2024, tendo o evento mais intenso registrado em 2015-2016, quando chegou a 2,6°C acima da média. Atualmente, a anomalia está em 1,4°C, mas medições apontam um aquecimento subsuperficial até 10°C acima do normal em algumas áreas, bem acima do observado em 2015-2016.

Efeitos globais e impactos já percebidos

O El Niño precoce já provoca mudanças climáticas significativas em diferentes partes do planeta. Segundo Chris Funk, diretor do Centro de Riscos Climáticos da Universidade da Califórnia, a situação foge do padrão histórico:

  • No Panamá, tradicionalmente úmido, não ocorrem chuvas intensas desde maio.
  • A Etiópia enfrenta o verão mais seco em quatro décadas, ameaçando colheitas e abastecimento de água.
  • O Sudeste Asiático registra atraso no plantio de arroz devido à seca, com risco para a segurança alimentar.

Riscos para o Brasil: agricultura, inflação e saúde

Historicamente, o El Niño provoca estiagem no Norte e Nordeste brasileiro, enquanto chuvas intensas ocorrem no Sul. O Sudeste alterna períodos secos e chuvosos. Essas alterações podem comprometer as safras agrícolas, com impacto direto nos preços dos alimentos e na inflação nacional. O governo federal, por meio do Ministério do Meio Ambiente, já discute medidas integradas de prevenção, como controle de incêndios e reforço na infraestrutura, além da saúde.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu alerta para maior risco de estresse térmico, desidratação, agravos cardiovasculares e epidemias de arboviroses, como dengue. No último El Niño, em 2024, o país registrou recorde de mortes por dengue (5.873), ultrapassando a soma dos oito anos anteriores, o que acende o sinal de alerta para o sistema de saúde brasileiro.

Mobilização e desafios à frente

Com o aumento da intensidade e a antecipação do fenômeno, torna-se crucial a articulação entre governos e sociedade. Monitoramento meteorológico, campanhas de saúde, orientações para agricultores e reforço em redes de proteção social são algumas das recomendações dos especialistas para enfrentar os efeitos do El Niño.

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