O desmatamento na Amazônia atingiu o menor patamar desde o início do monitoramento feito pelo sistema DETER do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em 2015. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o bioma perdeu 2.874 km² de floresta, uma queda de 36% em relação aos 12 meses anteriores, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (7) pelo INPE, durante evento em São José dos Campos (SP).

Dados do desmatamento em queda histórica

Os números do DETER revelam que a Amazônia Legal registra agora o menor volume de alertas de desmatamento desde o início da série histórica. Para efeito de comparação, na safra agosto 2021 a julho 2022, ainda sob o governo Jair Bolsonaro, a área detectada pelo sistema havia sido de 8.590 km² — quase três vezes mais.

No Cerrado, o recuo foi menos pronunciado: queda de 8%, totalizando 5.119 km² de área sob alerta no mesmo período. A metodologia do INPE utiliza imagens de satélite para captar indícios de desmate ao longo do ciclo anual, cuja delimitação (agosto a julho) acompanha a estação seca, quando as condições favorecem tanto o mapeamento quanto a atividade ilegal.

Papel das políticas públicas e dados de outros biomas

A expressiva redução dos índices amazônicos é celebrada como resultado direto do fortalecimento de políticas de combate ao desmatamento desde a volta de Marina Silva ao Ministério do Meio Ambiente e da Mudança Climática, na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. "Nós assumimos um compromisso que ninguém pediu: chegar ao desmatamento zero até 2030", afirmou Lula no evento, ressaltando a importância dos dados científicos para a definição de políticas ambientais.

O mesmo anúncio trouxe informações atualizadas de outros biomas, com destaque para a Mata Atlântica, que em 2025 registrou o menor índice de desmate pelo segundo ano consecutivo: apenas 402 km², 15% a menos que no ano anterior. O Pampa perdeu 305 km² (queda de 42%), e a Caatinga teve redução de 34% (2.289 km²).

Perspectiva de especialistas e desafios

Para Claudio Angelo, coordenador do Observatório do Clima, os números evidenciam o aprendizado brasileiro em reduzir o desmatamento de forma sustentável, mostrando dissociação com o crescimento da produção agropecuária. Segundo Ane Alencar, diretora de Ciências do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), a soma de fiscalização, embargo remoto, restrição de crédito e apoio aos municípios foi crucial para a redução dos índices.

No Cerrado, porém, a queda foi modesta. Um dos motivos apontados por Alencar é uma legislação ambiental mais permissiva: enquanto na Amazônia a lei limita o desmate a 20% da área dos imóveis rurais, no Cerrado pode chegar a 80%. Além disso, a maioria das terras na Amazônia é pública, enquanto no Cerrado predominam propriedades privadas, o que dificulta o controle.

Monitoramento constante e emissão de gases

Cláudio Almeida, coordenador do Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros do INPE, enfatiza a importância do monitoramento diário garantido pelo DETER. Os dados subsidiam ações de fiscalização e políticas públicas baseadas em evidências. O desmatamento permanece como a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa no Brasil — respondendo por 42% do total em 2024, de acordo com o Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

A meta de zerar o desmate até 2030 lidera os compromissos brasileiros junto ao Acordo de Paris no âmbito do plano climático nacional.

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