O primeiro debate da temporada eleitoral para o governo do estado de São Paulo trouxe à tona temas nacionais e regionais, em um confronto direto entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), realizado na noite de domingo (9) por uma emissora de televisão paulista. O encontro foi marcado por tensões e diversas trocas de acusações, com destaque para a discussão sobre relações com o governo federal, segurança pública, privatizações e educação.
Relação com governo Lula e impasses federativos
Logo no início, Haddad acusou Tarcísio de não valorizar parcerias do estado de São Paulo com o governo Lula, citando resistência em aderir ao programa Propag, voltado para renegociação de dívidas estaduais. Haddad afirmou que o estado “perdeu R$ 1 bilhão por mês” por não buscar articulação mais próxima com o presidente Lula. Tarcísio retrucou dizendo que decisões não têm influência político-partidária e apontou suposta travagem de empréstimos e financiamentos para o metrô por parte do governo federal.
Privatizações e infraestrutura em pauta
As divergências sobre privatizações também apareceram. Haddad questionou as vendas recentes de ativos estaduais, como a Sabesp, e sugeriu que as políticas estariam desalinhadas ao interesse público. Tarcísio defendeu que a privatização, especialmente da Sabesp, foi motivada por necessidade e que medidas foram tomadas para evitar aumentos excessivos nas tarifas. O governador provocou o PT, acusando a sigla de criar empresas públicas deficitárias.
O debate ainda abordou infraestrutura hídrica, com Haddad ligando o adversário ao negacionismo climático e à propagação de desinformação sobre vacinas. Ao ser questionado sobre estratégias para enfrentar a crise da água, Tarcísio destacou esforços estaduais, enquanto Haddad criticou a suposta falta de compromisso com o combate à mudança climática.
Segurança pública, violência e saúde
A questão da violência teve destaque, com Haddad citando aumento de 10% nos feminicídios em São Paulo no semestre, diante de uma queda nacional de 2,5%. Ele criticou o fim de gravações integrais em fardas policiais e a redução dos atendimentos 24h nas Delegacias da Mulher. Tarcísio respondeu com dados sobre queda de indicadores criminais em latrocínio e roubos, e ressaltou o avanço na segurança pública, citando 173 cidades sem registro de roubos em 2025.
Educação e disputa por resultados
Haddad também apontou perda de posições de São Paulo em índices nacionais de educação, criticando o uso crescente de plataformas virtuais e redução do papel docente presencial. Em resposta, Tarcísio prometeu investimentos em inteligência artificial na matemática para alunos e a ampliação do ensino integral.
Acusações cruzadas e clima de rivalidade
O debate teve momentos de forte rivalidade, incluindo insinuações sobre vínculos políticos, proximidades com figuras do bolsonarismo, e citações a acessórios internacionais polêmicos, como o boné "Make America Great Again", usado por Tarcísio no passado. Ambos fizeram questão de desmentir e rebater supostos fatos imprecisos.
O confronto explícito antecipa uma campanha estadual polarizada, com São Paulo no centro de discussões nacionais sobre políticas públicas e a influência do governo federal nas decisões regionais.
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