O fenômeno climático El Niño pode causar 13,3 mil mortes por calor extremo no Brasil até fevereiro de 2027, segundo projeção do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago (Climate Impact Lab), divulgada nesta quarta-feira (23). Ao todo, o estudo estima 451 mil mortes em todo o mundo no período entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, devido às ondas de calor vinculadas ao El Niño, com destaque para países do chamado Sul Global.

O Brasil deve ser o quinto país com maior número de óbitos previstos pelo relatório, ficando atrás apenas de Nigéria, Indonésia, Sudão e Índia. A margem de erro para o país é de cerca de 700 óbitos. O relatório indica que o aumento das mortes por calor deve ser sentido especialmente em regiões vulneráveis das grandes cidades brasileiras, como apontam os pesquisadores.

Por que isso importa

O alerta sobre o impacto do calor intenso no Brasil ganha ainda mais relevância diante da expansão do El Niño e das projeções de temperaturas próximas ou acima dos recordes históricos. Segundo o estudo, a gravidade desse cenário evidencia a necessidade de investir em medidas de adaptação, como sistemas de alerta precoce, monitoramento de grupos vulneráveis e centros de resfriamento nas áreas urbanas. A previsão de 13,3 mil mortes no Brasil representa não apenas um desafio para o sistema de saúde, mas também uma urgência para gestores públicos e sociedade quanto à mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Como sublinhou Michael Greenstone, cofundador do laboratório, cada número representa vidas reais – pais, filhos, avós – que podem ser salvos caso medidas emergenciais e preventivas sejam adotadas ainda neste verão.

Detalhes do relatório e recomendações

O relatório do Laboratório de Impacto Climático baseou-se em análises de excesso de mortalidade atribuídos ao calor, comparando os dados de 1996 a 2025 em mais de 24 mil regiões do mundo. As projeções focam apenas em óbitos diretamente relacionados ao calor, sem considerar outros impactos do El Niño, como secas, incêndios ou inundações. Os autores alertam que este El Niño pode ser o mais intenso já registrado, fazendo das atuais temperaturas extremas uma prévia das condições normais nas próximas décadas, diante do aquecimento global sem controle. Entre as recomendações, destacam-se a ampliação de políticas de adaptação, fiscalização de condições de trabalho para populações expostas ao ar livre e campanhas públicas de conscientização.

O que vem a seguir

Com o Brasil listado entre os países mais vulneráveis às mortes por calor extremo, pesquisadores e autoridades reforçam a necessidade de estratégias de adaptação face à crise climática. Aperfeiçoar sistemas de monitoramento, expandir a capacidade de resposta da saúde pública e mapear grupos de risco serão passos fundamentais nos próximos meses. O relatório enfatiza que as decisões tomadas agora podem evitar dezenas de milhares de mortes, especialmente se ações forem implementadas com rapidez e foco em proteger os mais vulneráveis. O cenário do El Niño serve como alerta para aprimorar políticas climáticas a longo prazo, buscando transformar medidas emergenciais em respostas estruturais permanentes.

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