O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que o Brasil está significativamente mais preparado para enfrentar os impactos do El Niño e demais desafios climáticos em comparação a 2023 e 2024. Após um período considerado crítico, Capobianco destaca que ações integradas entre governo federal, estados e o setor privado estão reforçando a capacidade nacional de resposta diante de eventos extremos, especialmente na Amazônia.

Avanços na adaptação climática e políticas públicas

Segundo Capobianco, uma das prioridades atuais é mudar a percepção sobre adaptação à crise do clima: ela não deve ser vista apenas como gasto público, mas como oportunidade de investimento e geração de atividade econômica. O ministro cita obras de infraestrutura, recuperação de áreas verdes, reforma de edifícios e adaptação de cidades como iniciativas capazes de gerar empregos e fortalecer a resiliência brasileira. Entre os programas, destaca o PAC Drenagem e Contenção de Encostas, com mais de R$ 18 bilhões destinados a reduzir riscos de alagamentos e deslizamentos.

O Plano Clima, recentemente aprovado, também abrange oito setores econômicos com metas de redução de emissões e propõe medidas específicas para adaptação em 16 segmentos, englobando tanto áreas urbanas quanto rurais. Para Capobianco, a mobilização do setor privado é essencial para expandir os esforços, sobretudo nos mais de 5.500 municípios brasileiros, onde desafios variam de acordo com o tipo de risco climático — como ondas de calor, enchentes, deslizamentos ou seca.

Combate e prevenção a incêndios em destaque

No contexto amazônico, a prevenção e combate a incêndios ganharam prioridade diante do agravamento do clima e do aumento da seca associado ao El Niño. Capobianco detalhou a implementação de portarias específicas, mapeando riscos climáticos nos municípios para permitir ações preventivas em tempo real, além da instalação de uma sala de situação nacional integrando 24 ministérios. Destaca-se também a aprovação da Lei do Manejo Integrado do Fogo, que distribui a responsabilidade pelo controle de incêndios entre União, estados, municípios e proprietários privados.

De acordo com o ministro, em 2024 foram realizados mais de 200 mil hectares de queima prescrita no Pantanal — ação controlada para eliminar material combustível e reduzir o risco de grandes incêndios. O atual contingente de 4.400 brigadistas, 37 aeronaves e 27 veículos especiais reforça o combate em diversas regiões críticas, como Norte, Nordeste, Centro-Oeste e o próprio Pantanal.

Atenção especial a comunidades isoladas e monitoramento de qualidade do ar

Além do combate ao fogo, o Ministério do Meio Ambiente tem intensificado o apoio a comunidades isoladas, especialmente na Amazônia, que podem ficar sem acesso a água e alimentos. Em resposta, expandiu o sistema de distribuição de cestas básicas e reservatórios de água, além do monitoramento químico da poluição atmosférica nas principais cidades por conta das queimadas. O resgate de fauna e medidas para proteger a biodiversidade também integram as ações prioritárias.

Desafios e perspectivas diante do El Niño

Capobianco ressalta que o El Niño, enquanto fenômeno regular, torna-se mais perigoso diante do quadro de aquecimento global, potencializando secas e incêndios. Programas permanentes, como o sistema de cisternas inicialmente voltado para o Nordeste, agora alcançam comunidades da Amazônia — um indicativo da gravidade das mudanças recentes. O ministro defende que a prevenção, com colaboração de toda a sociedade e do setor produtivo, é o caminho mais eficaz, já que o combate direto a incêndios em um país de dimensão continental apresenta limitações operacionais.

"Estamos, sem dúvida, muito mais bem preparados do que estivemos nas últimas crises. Entretanto, o tamanho do desafio climático exige engajamento coletivo de governos, iniciativa privada e população", concluiu Capobianco.

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