Em um ano marcado pelo aumento do risco de incêndios devido à previsão de um El Niño intenso, o Brasil registrou uma expressiva redução da área queimada. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, dados contabilizados até o início de agosto de 2024 mostram que aproximadamente 2 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo – uma queda de 33% em relação à média histórica do período, que ultrapassa 3 milhões de hectares.
Queda significativa apesar do El Niño
O fenômeno climático El Niño, que deve ser especialmente forte ao longo de 2024, normalmente amplia o risco de incêndios florestais devido ao aumento das temperaturas e à redução das chuvas em diversas regiões brasileiras. Ainda assim, o país conseguiu evitar uma expansão das queimadas que, segundo especialistas, poderia ter atingido níveis recordes.
De acordo com o boletim do Fogo Brasil, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, todas as regiões e biomas do país, com exceção da caatinga, apresentaram redução nos incêndios. A caatinga registrou aumento de 8% em relação à sua média histórica, tendência oposta à observada na Amazônia, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa, onde o fogo perdeu força.
Estratégias de prevenção e investimento
O Ministério do Meio Ambiente atribui parte desse resultado aos esforços de prevenção antecipada. Foram liberados mais de R$ 300 milhões em repasses a órgãos que atuam diretamente no combate ao fogo, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O governo federal investiu ainda em campanhas de conscientização e intensificou o monitoramento em tempo real dos focos de incêndios, buscando agir antes que as chamas se espalhassem. A avaliação do órgão é de que, mesmo diante dos efeitos do El Niño, as políticas públicas e o aporte de recursos ajudaram a conter o avanço das queimadas.
O desafio continua até o final do ano
Apesar dos bons números até agosto, autoridades ambientais alertam que o período mais crítico das queimadas se estende pelos próximos meses, especialmente em regiões do Norte, Centro-Oeste e Nordeste. O Ministério do Meio Ambiente mantém o alerta para o risco de o El Niño agravar as condições de seca e, por consequência, facilitar a ocorrência de novos incêndios até o final de 2024.
A conjuntura reforça a importância de manter as ações preventivas e o acompanhamento constante dos dados, destacando o papel do monitoramento e da mobilização da sociedade diante de fenômenos climáticos extremos.
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